Balanço do segundo dia de paralisações

Pelo segundo dia seguido, a cidade do Rio segue enfrentando paralisações nas empresas de ônibus. Iniciado ontem com a líder do Consórcio Internorte (Viação Nossa Senhora de Lourdes), hoje mais três empresas do Consórcio entraram em greve: Transportes América, Viações Rubanil e Madureira Candelária, onde as três já vinham definhando há três anos na operação. Com atrasos severos de salário (segundo as informações, os funcionários estão há 5 meses sem receber e outros 4 anos sem receber o 13º salário), os motoristas das 3 empresas fazem paralisação das atividades desde as primeiras horas da manhã.
Estão paralisadas as linhas:
  • 349 – Rocha Miranda x Castelo (Madureira Candelária)
  • 350 – Irajá x Passeio (Rubanil/América)
  • 355 – Madureira x Tiradentes (Madureira Candelária)
  • 665 – Pavuna x Saens Peña (Rubanil/América)
  • 928 – Marechal Hermes x Ramos (Madureira Candelária)
Juntas, as 5 linhas carregam 1,130 milhões de passageiros por mês, em média (segundo dados do site Transparência da Mobilidade, da Prefeitura do Rio)

O retorno das atividades

No início da tarde, a Viação Nossa Senhora de Lourdes retomou as atividades e as linhas da empresa circulam normalmente. Por volta das 16:00, os ônibus da Madureira Candelária já estavam retornando, e por fim, por volta das 17:30 foi a vez dos ônibus da Rubanil e América voltarem a circular.
No último domingo, o Portal Flumibuss viajou num ônibus da 350 e atestou que não há mais como as duas empresas continuarem circulando. Além da evidente falta de ônibus nas ruas, o ônibus em que o site viajou não apresentava o mínimo de segurança para estar nas ruas, como mostra as imagens abaixo:

Além da falta de manutenção no motor, há muitos ferros soltos, além do fato da gaveta original do cobrador ainda permanecer no ônibus, mesmo após a retirada, o que pode ocasionar alguma lesão em casos de freada brusca com o ônibus lotado. Foto: Gabriel Petersen Gomes

Uma amostra dos muitos ferros soltos ao longo do ônibus. Foto: Gabriel Petersen Gomes

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes disse que ontem foram aplicadas 8 multas ao Consórcio Internorte, em decorrência da paralisação da Lourdes, num total de 520 UFIR-RJ (R$ 1.663) por linha, totalizando pouco mais de R$ 13.300. As multas são aplicadas após a constatação da suspensão das operações após 4 horas. A secretaria reforça que “os consórcios têm obrigação contratual de manter os serviços de forma regular aos usuários do sistema, mesmo em caso de paralisações, sem causar prejuízo aos passageiros.” E quanto ao motivo da paralisação, “ trata-se de questões trabalhistas que devem ser tratadas entre empresários e funcionários. A SMTR não tem ingerência sobre o assunto (falta de pagamento de salários e benefícios), nem mantém relação com as empresas.”

Já a Rio Ônibus informou que as empresas Rubanil, América e Madureira Candelária seguem negociando com os rodoviários. O sindicato das empresas destacou que a Nossa Senhora de Lourdes nunca atrasou os salários dos rodoviários e propôs o parcelamento do décimo terceiro para manter os pagamentos em dia.
O Rio Ônibus acrescentou ainda que desde o início do ano vem alertando para a crise do setor, “agravada pelo congelamento da tarifa e pelas reduções no valor determinadas pela Justiça. Isso contribui para a piora na qualidade do serviço e para o risco de fechamento de empresas, prejudicando 4 milhões de passageiros que usam os ônibus todos os dias e colocando em risco o emprego de 40 mil rodoviários.”

Com informações do Jornal Extra

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Os novos ônibus com ar-condicionado da Montes Brancos

Após 1 ano e meio comprando ônibus sem ar-condicionado, a empresa do grupo SMS volta a investir em ônibus com o aparelho

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Uma das referências de transporte na Região dos Lagos, a Viação Montes Brancos, de Araruama, apresentou para os passageiros da cidade-sede e para os que trafegam entre Saquarema e Cabo Frio, 22 novos ônibus com ar-condicionado. Com a carroceria Torino, fabricado pela Marcopolo, os veículos vieram montados com o chassi Mercedes Benz OF-1721 equipados com suspensão a ar, o que proporciona viagens mais tranquilas. Além disso, os novos ônibus vieram equipados com plataforma elevatória para portadores de necessidades especiais, ao invés do elevador tradicional. Com este modelo, onde o elevador fica embaixo do piso da carroceria, os ônibus ganham mais 4 lugares.

Foram adquiridos 11 ônibus para as linhas municipais de Araruama, com a pintura padronizada estabelecida pela Secretaria Municipal de Transportes da cidade, sem o posto de cobrador e outros 11 ônibus para as linhas intermunicipais, com o posto de cobrador.

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A diferença entre os ônibus destinados às linhas municipais e às linhas intermunicipais é na presença do cobrador.

Em comum, as duas remessas vieram equipadas com paineis eletrônicos da FRT, com a novidade de possuírem letreiro eletrônico interno. Além disto, vieram equipados também com o anunciador de próxima parada, que auxilia os passageiros na hora de desembarcar nos principais pontos do itinerário, e possuem ar-condicionado da Spheros.

As principais linhas beneficiadas com os novos ônibus foram:

  • 201 – Araruama x São Vicente
  • B147 – Araruama x Cabo Frio
  • B160 – Búzios x Cabo Frio (via Jardim Esperança)
  • B460 – Bacaxá x Cabo Frio (via Araruama)

Confira mais fotos na galeria abaixo!

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Entrevista: A visão transparente da nova gestão da Rio Ônibus

Novo presidente da Rio Ônibus, Cláudio Callak comenta sobre temas que mexem com o dia a dia de 3,8 milhões de passageiros.

Três milhões e oitocentos mil passageiros utilizam os ônibus da cidade do Rio de Janeiro. E se acontecesse o colapso no sistema? Essa é uma conta que o novo presidente da Rio Ônibus, Claudio Callak, não queria que a população pagasse no final. O presidente recebeu o Portal Flumibuss e outros blogueiros e influenciadores digitais do tema mobilidade urbana na sede do sindicato, na Barra da Tijuca, para um encontro e comentar, com transparência, sobre temas e os problemas que o sistema de transporte público por ônibus está enfrentando.

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Reunião com influenciadores digitais e blogueiros com o presidente Claudio Callak, na sede do sindicato. Foto: Thiago Teixeira.

Os efeitos da crise:

  • Atualmente são 32.546 empregos diretos.
  • 7 empresas fecharam as portas desde 2015 (Algarve, Andorinha, Bangu, Rio Rotas, Santa Maria, Translitorânea e Via Rio)
    • 3 mil rodoviários demitidos em consequência destas falências
  • 11 empresas estão em risco grave de encerrar suas atividades
    • 7 mil rodoviários trabalham nestas empresas.
  • 3,28 anos era a idade média da frota em 2011
  • 4,85 anos é a idade média da frota em 2017
  • R$ 3,40 é a menor tarifa entre capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre

Callak conta que a Rio Ônibus recebeu a notícia da segunda redução da passagem com pânico e que não foi contatada pelos canais tradicionais, e sim pela grande mídia.

– A gente recebeu primeiro com surpresa, porque veio através da mídia, não veio através dos canais competentes. Não veio suportada por um estudo técnico e dentro de uma absoluta inviabilidade econômica financeira. (Claudio Callak)

Sobre a climatização da frota, Callak explica que o cronograma compatível ideal para a climatização de toda frota levaria 3 anos, se não houvesse redução das passagens. Com a retirada de 20 centavos, o cronograma aumentou em 1 ano. O Rio de Janeiro possui o maior percentual de ônibus com ar-condicionado do país, com 4.641 ônibus (57% do total). O custo médio para um ônibus com ar condicionado gira entre R$ 400 e R$ 450 mil.

Questionado também sobre o Bilhete Único, a gerente de gestão de mobilidade urbana Paula Leopoldina explica que a retomada das obras do BRT TransBrasil, com a retirada de uma faixa seletiva, para priorizar o transporte individual, está prejudicando a utilização em sua plenitude.

[…] Agora com o retorno das obras da Brasil, com apenas uma faixa, o tempo de viagem está demorando demais. Mas isso é uma questão que eles poderiam dar essa prioridade para o transporte coletivo e não para o carro. (Paula Leopoldina)

Sobre o iminente fechamento de 11 empresas, Callak explica que já há um plano para evitar o colapso total do sistema. Mas que o sindicato já está chegando ao ponto de não suportar mais nenhuma eventual quebra de empresa.

A gente está absorvendo todas as empresas que fecharam até agora, até onde a gente suportou. Mas quando você tem que prover receita para pagar os teus custos, e ainda prover receita para indenizar funcionário de empresas que quebraram, é natural que chega um momento que está todo mundo doente.

Na cidade, 79% das viagens são pagas com cartões eletrônicos. A cidade só não chega aos 100% pois, segundo Callak, a Secretaria Municipal de Transportes não permite a venda de Rio Card em pontos estratégicos por motivações políticas. O Sindicato estava com pretensões de colocar a venda de Rio Card em pontos locais, mas que a SMTR vetou. Além disso, a SMTR não permite qualquer tipo de sonorização dentro dos ônibus. Acessórios como o “Anunciador de Próxima Parada”, que poderia auxiliar os passageiros foram vetados.

Outro ponto abordado foi a racionalização feita na Zona Sul. Callak divulgou que as linhas da Zona Sul perderam 22% da demanda entre 6 e 8 meses após a racionalização. E Paula Leopoldina explicou que a SMTR da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes fez a racionalização apenas no visual, sem aprofundar num estudo para identificar pontos chave.

O que a secretaria fez foi cortar algumas linhas. ‘Ah, essa linha a demanda indo até o final da linha é muito pequeno, não tem sentido, não precisa ir até o final de Copacabana, até o final de Copacabana tá levando 2 passageiros”. Então eu corto ali. (Paula Leopoldina)

Em discussões recentes, o consórcio BRT afirmou que o fechamento de 22 estações de todo o eixo da Avenida Cesário de Melo (que liga Campo Grande a Santa Cruz) é uma questão de tempo. Perguntado se já foi apresentado um plano para combater os calotes, Callak acusou o Governo do Estado de apropriar do dinheiro que seria pago aos policiais, por meio do Programa Estadual de Integração de Segurança (PROEIS) e que não compete à Rio Ônibus brigar com a milícia

A gente já contratou até oficialmente, o programa da polícia militar (PROEIS) para tomar conta das estações. Só que, infelizmente, o governo do estado se apropriou do dinheiro e não repassou para os policiais militares. Então, isso vai além da política de transporte público. Comprar o ônibus, comprei. O bilheteiro está lá, os bilhetes existem. O mínimo de manutenção, onde é possível, a gente faz. Agora eu não consigo dar segurança pública. Não posso botar o funcionário. Eu não posso agredir um passageiro.  Eu não posso evitar que um vândalo entre lá e bote fogo numa estação. Eu não tenho capacidade de brigar com a milícia. Isso tudo são coisas que não competem à Rio Ônibus.

Sobre a falta de divulgação dos horários dos ônibus, Callak explica que os horários não são confiáveis. Criticou também a falta de mais corredores BRS, para que você pudesse precisar ao passageiro, quanto tempo falta para o ônibus chegar no ponto X.

Se tivesse BRS na cidade toda estaria ok. Pelo menos ele corresse. Saiu, por exemplo, lá do Leblon, ele vem de BRS, chega em Botafogo BRS, Aterro do Flamengo BRS, Centro da Cidade e Presidente Vargas BRS, aí eu conseguia prever o tempo, mas como não é assim, eu não consigo.

Sobre a falta de ônibus na madrugada, Callak pontua que a cidade vive sob efeitos de um poder paralelo, o que não dá garantia mínima de segurança para que o transporte rode 24 horas, pois em muitas áreas longe da área central, os ônibus param de circular muito cedo.

Por fim, sobre a negociação com o sindicato dos Rodoviários sobre o reajuste salarial, o gerente jurídico Bernard Fonseca explica com a redução das passagens em 40 centavos no total, não há qualquer condição de dar reequilíbrio salarial, mesmo a Rio Ônibus entendendo que eles merecem um reajuste.

A gente entende que eles merecem um reajuste, mas do quadro econômico que as empresas se encontram hoje, com essa redução de 40 centavos, não tem a menor condição da gente dar qualquer reequilíbrio (Bernard Fonseca)

O Portal Flumibuss agradece pelo convite feito pela Rio Ônibus, em especial à Thiago Teixeira, para participar deste encontro e pondera que é sempre bom poder ouvir, de maneira transparente e independente, os órgãos públicos, empresas de ônibus e todos que fazem movimentar a nossa cidade, a nossa região metropolitana, o nosso Estado. Estamos abertos à ouvir a Secretaria Municipal de Transportes e o seu secretário Fernando MacDowell para traçar o panorama, na visão da Prefeitura, dos transportes na cidade, ouvindo os dois lados para podermos traçar o futuro que os transportes do RJ merecem ter.

O Portal Flumibuss parabeniza também pela presença dos outros sites/páginas de Facebook:

  • Adamo Bazani, do Diário do Transporte (SP);
  • Carolina Guimarães, da página Linha 580 te leva às alturas (RJ);
  • Diego de Souza, da página Rio Ônibus da Depressão (RJ) e;
  • Vitor Mihessen, da página Casa Fluminense (RJ)

Abaixo, leia a entrevista completa com o presidente Claudio Callak.


Entrevista – Claudio Callak, presidente da Rio Ônibus. Com participação de Paula Leopoldina, gerente de gestão de mobilidade urbana e Bernard Fonseca, gerente jurídico.
Nota: Entrevista disponível em texto e áudio. O texto é transcrição do áudio, pode haver divergências entre o texto e áudio, mas estão dentro do mesmo contexto.

Tema: Política tarifária

Portal Flumibuss RJ: A população hoje não está satisfeita com o serviço prestado, e isso já vem desde quando a tarifa era de R$ 3,80 (Janeiro-2016 a setembro-2017), alegando que para o serviço prestado, principalmente na Zona Norte e regiões de Bangu à Santa Cruz, a passagem deveria ser menor. Porque mesmo com a tarifa alta, o serviço estava precário?

Claudio Callak: Primeiro não concordo com a tarifa esteja alta, respeitando a opinião de muitos que fazem esta pergunta, eu acho que qualquer resposta honesta a isso tem que ser embasada com um estudo técnico para que seja equilibrado, e de um terceiro, sempre. Nenhum número, valor, ou métrica de qualificação que eu possa te dar é justa, vindo de mim.


Flumibuss: Com a recente decisão da Justiça de baixar para R$ 3,40 (valor antes de 2016), e mesmo a Rio Ônibus tendo anunciado que irá acatar, como vocês receberam esta notícia? Como foi a reação?

Callak: Através do jornal, através da mídia. E com pavor, pânico. Porque a conta já não fechava. A gente recebeu primeiro com surpresa, porque veio através da mídia, não veio através dos canais competentes. Não veio suportada por um estudo técnico e dentro de uma absoluta inviabilidade econômica financeira. 


Flumibuss: Onze empresas do RJ correm o risco de encerrar as atividades, principalmente em decorrência da falta de pagamento aos seus funcionários. O que a Rio Ônibus tem a dizer sobre o assunto e se há algum plano já sendo elaborado em um eventual “colapso total” (como o próprio sindicato diz), ou seja, as 11 empresas encerrando as atividades.

Callak: Tem um plano, nosso plano é desde o início do ano a gente está comunicando a toda imprensa, à secretaria, ao poder público, a todo mundo que esse colapso é iminente. E isso é o limite do que a gente pode fazer. A gente está absorvendo todas as empresas que fecharam até agora, até onde a gente suportou. Mas quando você tem que prover receita para pagar os teus custos, e ainda prover receita para indenizar funcionário de empresas que quebraram, é natural que chega um momento que está todo mundo doente. E esse momento a gente vem dizendo desde o início do ano. É uma conta que eu não gostaria de pagar e nem gostaria que a população pagasse no final.


Flumibuss: E quanto aos serviços de “frescão”, mesmo eles estando de fora das decisões judiciais, muitas das linhas cobram caro pelo itinerário percorrido e, posto isto, circulam com poucos ou nenhum passageiro. O que a Rio Ônibus pode fazer para enquadrar na “política da tarifa justa”? Já que teoricamente um ônibus executivo poderia retirar entre 40 e 52 carros das ruas (dependendo da configuração pedida), se estando somente com o motorista.

Callak: O que a gente pode fazer é manter o sistema que é o que movimenta a cidade do Rio de Janeiro, 4 milhões de passageiros, o sistema de transporte por ônibus urbano. Esse a gente tem que manter vivo. Daí para cima, que são os frescões, é opcional. O que não pode ter (é o que acontece em alguns lugares) é que você só tem frescão. Mas isso é em consequência de todas as coisas que a gente conversou. Enquanto você mantiver um sistema sadio e à preço módico, o frescão passa a ser uma consequência. Aquele que o cara tem condição ou quer pagar mais, ok.


Tema: Ar-condicionado

Flumibuss: Vocês defendem a climatização total da frota, mas o cenário visto nas ruas é completamente diferente. Muitos passageiros reclamam quando a passagem baixou para R$ 3,60, muitos dos com ar simplesmente sumiram das ruas, e, indo além, há empresas que simplesmente desligam os aparelhos de ar-condicionado, por não funcionarem direito. Os casos mais emblemáticos são da Transurb, principalmente nas linhas Troncal 5 (Alto Gávea x Central) e 422 (Grajaú x Cosme Velho) e da Auto Viação Tijuca, na linha 603 (Usina x Saens Peña via São Miguel). O que a Rio Ônibus tem a dizer sobre?

Callak: Deveria direcionar essa pergunta ao secretário de transportes. “Qual é o transporte que ele quer ter na cidade do Rio de Janeiro? ”. Porque não tem almoço de graça. Eu não entro no mérito da empresa, se ela está com janela aberta ou não, porque eu respondo por uma entidade, e aí não vou pontuar essa linha ou aquela linha. Mas de uma maneira geral, isso é uma excelente pergunta a ser feita ao prefeito da cidade e ao secretário de transporte. “Qual é a qualidade do transporte público que ele deseja para a cidade? ”


Flumibuss: Em matéria recente, o Jornal Extra divulgou uma listagem da SMTR sobre a quantidade de ônibus com ar que, supostamente, teria em tal linha, sendo que esta listagem foi muito questionada por não retratar a realidade. Como exemplo, a linha 497 supostamente está com a frota 100% refrigerada, sendo que a realidade é que ela está com frota 100% sem refrigeração. O que a Rio Ônibus tem a dizer?

Callak: Que também é uma pergunta para ser direcionada para o secretário de transportes e ao prefeito da cidade. Está no relatório da Price (PriceWaterhouseCoopers, empresa de auditoria multinacional), um dos escopos do relatório da Price era requalificar a estrutura organizacional da Prefeitura. Eu posso te dar todos os dados daqui e você checar os dados daqui. Esses eu garanto a você que serão verdadeiros. Se a Prefeitura não tem controle sobre os dados que ela informa, eu não posso me responsabilizar.

Paula Leopoldina: A Prefeitura ela determinou, por causa da determinação dela de só ônibus com ar condicionado, que linhas novas que foram criadas na racionalização foram criadas com ar condicionado no cadastro deles, mas sem necessariamente estar alinhado com a operação na rua, entendeu? Agora linha nova ou linha que foi alterada, tem que ser com ar condicionado e pronto, acabou. Mas isso não necessariamente não condiz com a realidade. É uma questão de cadastro deles. Por isso que dá essas divergências de cadastro. 


Tema: qualidade do serviço

Flumibuss: É notório, nas ruas, a insatisfação dos passageiros com o sistema de transporte. E para piorar a situação, várias linhas que não foram modificadas pela gestão anterior, estão com serviços precários ou então despareceram. O Bilhete Único, com o tempo atual, não dá para ser utilizado na sua plenitude, pois dependendo do deslocamento – graças a supressão de itinerários – numa única linha pode chegar à 3 horas no horário de rush. O que a Rio Ônibus pode sugerir neste ponto?

Callak: Vamos lá, a tua pergunta foi bem longa. De um lado da cidade você tem um cara… por exemplo, você pode com 2 horas e meia pode sair de Copacabana, ir ao Centro da cidade e voltar. Isso não é regra do bilhete único. Por um outro lado, quem é que está pagando esse preço: o cara que precisa dele 2 horas e meia e não está conseguindo validar.

Paula: Acho que a gente pode… até… a Avenida Brasil quando ela abriu a Seletiva, tinham duas faixas seletivas para ônibus, para dar prioridade ao transporte público, para mudar essa velocidade para a contabilidade dos usuários, poderem fazer a integração. Isso agora com o retorno das obras da Brasil, com apenas uma faixa, o tempo de viagem está demorando demais. Mas isso é uma questão que eles poderiam dar essa prioridade para o transporte coletivo e não para o carro.

Callak: Porque a solução disso não é você encarecer a passagem, aumentando para 5 horas o Bilhete Único. Não adianta. Você abre isso pra. O importante é que você faça um deslocamento mais curto.


Flumibuss: O sistema BRT foi um dos grandes legados implantados pelo ex-prefeito Eduardo Paes, sendo que ele foi mal dimensionado e ainda há o problema dos calotes, principal e especialmente no eixo da Avenida Cesário de Melo. A Rio Ônibus já apresentou alguma pauta nesse sentido à SMTR (seja da gestão passada ou da atual)?

Callak: Já, vários. A gente já contratou até oficialmente, o programa da polícia militar (PROEIS) para tomar conta das estações. Só que, infelizmente, o governo do estado se apropriou do dinheiro e não repassou para os policiais militares. Então, isso vai além da política de transporte público. Comprar o ônibus, comprei. O bilheteiro está lá, os bilhetes existem. O mínimo de manutenção, onde é possível, a gente faz. Agora eu não consigo dar segurança pública. Não posso botar o funcionário. Eu não posso agredir um passageiro.  Eu não posso evitar que um vândalo entre lá e bote fogo numa estação. Eu não tenho capacidade de brigar com a milícia. Isso tudo são coisas que não competem à Rio Ônibus.


Flumibuss: Um outro ponto bastante polêmico entre os passageiros foi a racionalização feita na reta final da gestão Eduardo Paes nas linhas que circulam pela Zona Sul. Isso impactou muito o passageiro. A Rio Ônibus havia afirmado, em entrevista, que o sindicato há um próprio plano de racionalização que não afetaria muito as empresas e os passageiros. Pode comentar sobre?

Callak: Paula Leopoldina ao seu lado…

Paula: A gente tinha um plano, que não era só simplesmente seccionar linhas. Era poder fazer integração com essas linhas seccionadas… que fossem seccionadas. Com os seccionamentos que fossem necessários, que pudesse ter uma integração mais amigável. Então era um projeto um pouco mais completo do que a secretaria fez. O que a secretaria fez foi cortar algumas linhas. ‘Ah, essa linha a demanda indo até o final da linha é muito pequeno, não tem sentido, não precisa ir até o final de Copacabana, até o final de Copacabana tá levando 2 passageiros”. Então eu corto ali. Só que não teve essa integração ou uma… um pouco mais estruturante esse projeto. Em parte disso inclui o Claudio já até apresentou que foi o ônibus elétrico na Rio Branco, com estações, que pudessem melhorar essa integração. Que não fosse feito só o seccionamento, e cortar. Eu acho que é um pouco mais completo nesse sentido.


Flumibuss: Em outras capitais, como São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e muitas cidades interioranas (como Petrópolis), o horário de funcionamento das linhas fica acessível à população através da internet ou nos pontos finais das linhas, somente o Rio de Janeiro não divulga. Porque não é divulgado? Pois muitos passageiros poderiam se programar e evitaria fazer questionamentos aos rodoviários.

Callak: Não é divulgado porque ele não é confiável. Não adianta te divulgar uma informação que não é verdadeira. Alguém aqui falou do Uber. Você pode pegar o próprio Uber, que ele vai te dizer: Chego em 2 minutos. Daqui a pouco ele muda pra 3. Isso não é uma coisa que dependa de eu te dizer. O sistema se você projetar no Vá de Ônibus ou não, ele vai te dizer. O ônibus tá chegando em 2 minutos, só que daqui a pouco ele volta. [..]. Eu dependo disso, da tecnologia do satélite, do engarrafamento, aí eu vou te dizer no ponto. Você imagina, vou pendurar uma placa no ponto. Em Copacabana não tem um ponto de ônibus que esteja com os vidros no lugar. Todos eles estão quebrados. Aí eu vou botar um painel eletrônico, que é mais um custo, com o horário de chegada do ônibus. Aí ele vai pegar um engarrafamento, quando dizia 2 minutos ali, vai mudar pra 4. Então hoje a gente não tem tecnologia confiável porque os corredores não são distantes todos eles. Se tivesse BRS na cidade toda estaria ok. Pelo menos ele corresse. Saiu, por exemplo, lá do Leblon, ele vem de BRS, chega em Botafogo BRS, Aterro do Flamengo BRS, Centro da Cidade e Presidente Vargas BRS, aí eu conseguia prever o tempo, mas como não é assim, eu não consigo


Flumibuss: Ainda nessa questão sobre horário de funcionamento, porque parte das linhas que possuem registro para circular 24 horas (SN) não circulam? Há algum plano para que todas as linhas urbanas circulem 24 horas – mesmo sendo com 1 ônibus? Pois em muitas regiões da cidade, os ônibus encerram as atividades antes mesmo da 23h, principal e especialmente na Zona Oeste “pobre” (Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Pedra de Guaratiba, etc). Tem a questão da segurança, essas coisas assim.

Callak: Você já perguntou, já respondeu. A gente não pode esquecer que a cidade vive sob efeito de um poder paralelo contra o qual eu não tenho autonomia. Aonde infelizmente o poder paralelo, a mílicia, disser pra mim que eu não vou rodar, eu não vou arriscar.


Flumibuss: A quantas andam a negociação para o reajuste salarial dos rodoviários? Pois muito se fala em congelamento.

Bernard Fonseca: Na verdade, assim, o cenário se modificou muito de um mês pra cá. Duas reduções significativas na tarifa, a gente já tava com um desequilíbrio econômico-financeiro muito grande na concessão. O que se vem negociado é que a partir do momento que a gente tem algum tipo de alteração na tarifa no sentido de aumentar, que a gente sentaria de novo e discutiria, a não ser que a gente tivesse algum momento, algum reajuste. Aí tão logo a gente tem, a gente sentaria com o sindicato pra tentar negociar. A gente entende que eles merecem um reajuste, mas do quadro econômico que as empresas se encontram hoje, com essa redução de 40 centavos, não tem a menor condição da gente dar qualquer reequilíbrio


O micro ex-Transurb da Viação Ideal

A empresa adquire um micro para um serviço complementar das linhas do Bancários, conhecido como “Trenzinho”

A Viação Ideal, empresa integrante do Consórcio Internorte, adquiriu um micro-ônibus para complemento das linhas da empresa que param no Bancários, região da Ilha do Governador. Trata-se de um Thunder+II, modelo fabricado pela Neobus, com o chassi Mercedes Benz LO-916, adquirido da empresa Transurb originalmente em 2013. Tal aquisição surpreende pelo fato da empresa estar 100% climatizada.

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O micro-ônibus foi adquirido para circular no serviço complementar conhecido como “Trenzinho do Bancários”, que consiste num complemento ao itinerário das linhas que a empresa opera na região ligando a Praça do Bancários ao final da Estrada da Porteira, no Morro Bela Vista.

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Não há informações se a empresa pretende aumentar a frota deste serviço complementar.

Linha 497 retorna ao Cosme Velho

Passageiros da Rua das Laranjeiras e Rua Cosme Velho foram pegos de surpresa e comemoram o retorno

1-P1370029Quem depende da linha 497, do Consórcio Internorte, teve uma grata surpresa nesta terça-feira. A Viação VG, empresa que a opera, retornou com o itinerário original da linha, que vai da Penha, na Zona Norte, até o Cosme Velho, na Zona Sul da cidade. A linha havia sido encurtada, após o projeto de “racionalização” imposta pelo ex-prefeito Eduardo Paes em 2016, para o Largo do Machado e, posteriormente, após reclamações, prolongada até ao Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), em Laranjeiras.

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O retorno da linha ao Cosme Velho ocorre em meio à indefinição quanto ao processo de reversão da racionalização, onde a SMTR nem sequer pronunciou sobre o assunto.

Após pegar a Rua das Laranjeiras, a linha, que antes virava na Rua Soares Cabral, segue pela via até chegar ao bairro do Cosme Velho, fazendo ponto final no Terminal de ônibus do bairro. A linha continua operando de modo circular, isto é, passageiros poderão pegar a linha sentido Cosme Velho e retornar, sem precisar de pagar nova passagem. Com isso, foi restabelecido o acesso da Zona Norte com a estação dos trens do Corcovado.

Tanto entre os rodoviários da Viação VG, bem como entre os passageiros, o clima era de festa pelo retorno da linha ao itinerário original. Em uma viagem entre o novo ponto final e o bairro da Glória, o Portal Flumibuss ouviu de passageiros que embarcavam que não precisariam de outra condução para utilizar a linha 497, elogiando a empresa, mas questionando porque a linha 498 (Circular da Penha x Largo do Machado) não retornou junto ao Cosme Velho.

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Durante a viagem feita no trecho reaberto da linha 497, ao chegar no Largo do Machado, o ônibus já estava com todos os bancos ocupados.

Por enquanto, não há previsão para o retorno da linha 498 ao Cosme Velho, nem um provável retorno do itinerário original pelo Centro do Rio.

Serviço:

Mudança de denominação

  • Antes: 497 – Penha x Laranjeiras (Circular)
  • Depois: 497 – Penha x Cosme Velho (Circular)

Novo itinerário: … normal até Rua das Laranjeiras, depois continua na Rua das Laranjeiras, Rua Cosme Velho, Terminal do Cosme Velho (ponto regulador), Rua Cosme Velho, Rua das Laranjeiras, Rua Soares Cabral, Rua Almirante Benjamin Sodré, Viaduto Jardel Filho, Rua Conde de Baependi, Rua do Catete, seguindo o itinerário original.

Horário de funcionamento: 24 horas.