Passagens de ônibus intermunicipais aumentam neste domingo

E diferentemente do que o Detro havia divulgado no final de 2017, 80% das linhas sofrerão reajuste e outros 20% ficarão com as tarifas estáveis ou terão redução irrisória

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As linhas urbanas que partem do Rio para Maricá, Guapimirim, além do distrito-sede de Magé tiveram o maior aumento: De R$ 11,50 para R$ 12,00.

Começou a vigorar neste domingo, o reajuste nas passagens dos ônibus metropolitanos e intermunicipais do estado do Rio. Porém, houve reviravolta na história, entenda:

  • No final de dezembro, a autarquia havia concedido o primeiro reajuste, através da portaria nº 1769, que, pela primeira vez, seria negativo, dado a retirada de R$ 0,2783 do cálculo de passagem, autorizado pelo governador Luiz Fernando Pezão. A portaria determinava que o reajuste seria concedido a partir do dia 08 de Janeiro (segunda-feira passada). Os reajustes reais variavam entre -3,75% e 1,74%, o que baratearia 60% das linhas intermunicipais do Estado. Tal revisão foi determinada pelo Tribunal de Contas do Estado, a partir de comunicado do Ministério Público, alertando que, desde 2013, leis federais promoveram desoneração fiscal e acabaram com as cobranças de PIS e Cofins para empresas de transporte público.

  • No dia 05 de Janeiro, a autarquia republicou a portaria do dia 28 de Dezembro, porém adiando o reajuste que seria dado a partir do dia 08 para o dia 14 (hoje). E, amanhã, dia 15, seria a vez das vans intermunicipais a aumentarem os valores. Porém, os reajustes reais permaneceram entre -3,75% e 1,09%.

  • Porém, na última sexta-feira, dia 12, a autarquia publicou uma nova portaria que cancelou a portaria do dia 28 e publicou uma nova portaria reajustando 80% das linhas, enquanto que os outros 20% permaneceram com os mesmos valores. Porém, esta “manobra” foi motivada por dois processos, que constam nas considerações da nova portaria. Segundo as informações recebidas, estes dois processos foram abertos pela Federação das Empresas de Transporte do RJ, a FETRANSPOR, que teria se irritado com o barateamento das linhas.

Posto isto, segundo a nova portaria, os cálculos dos reajustes ficaram definidos da seguinte forma:

Linhas Metropolitanas; serviços SA, A e AC: 6,84% (antes: 4,03%)
Linhas não Metropolitanas; serviços SA: 4,07% (antes: 1,33%)
Linhas não Metropolitanas; serviços A e AC: -5,23% (antes: -5,62%)

A tarifa modal, que antes passaria a custar R$ 3,85, continua em R$ 4,00. As linhas metropolitanas que custavam R$ 4,25 e R$ 4,55 também permanecem com os valores inalterados.

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A linha Petrópolis x Três Rios, operada pela Viação Progresso, teve uma redução de 5,23% na passagem, passando a custar R$ 23,08.

 

As linhas que custavam a partir de R$ 5,35 terão os valores reajustados pra cima. Partindo da Rodoviária Novo Rio, a linha que teve a maior redução foi a rota Rio x Raposo (distrito de Itaperuna), de R$ 136,30 para R$ 126,59 (em consulta realizada no site da Auto Viação 1001, que opera o trecho). Cabe lembrar que o Bilhete Único Intermunicipal não teve reajuste, permanecendo com a tarifa de R$ 8,00. Confira abaixo os valores atualizados das linhas metropolitanas:

Tarifa atual Nova tarifa Variação real Exemplo
 R$        4,00  R$        4,00 0% 541L – Nova Iguaçu x Cascadura (V. N. S. Penha)
 R$        4,25  R$        4,25 0% 484M – Niterói x Alcântara (Fagundes)
 R$        4,55  R$        4,55 0% 547P – Sepetiba x Jardim Paraíso (Ponte Coberta)
 R$        5,35  R$        5,40 0,93% 537R – Niterói x Itaipu (Amparo)
 R$        6,05  R$        6,20 2,48% 415C – Jardim Leal x Central (Limousine Carioca)
 R$        6,75  R$        6,95 2,96% 709D – Charitas x Candelária (Garcia)
 R$        7,25  R$        7,45 2,76% 427C – Vilar dos Teles x Candelária (Reginas)
 R$        8,20  R$        8,45 3,05% 755D – Charitas x Gávea (1001)
 R$        8,65  R$        8,95 3,47% 486C – Xerém x Candelária (TREL)
 R$        9,15  R$        9,50 3,83% 110D – São Gonçalo x Passeio (Coesa)
 R$        9,80  R$     10,15 3,57% 533D – Alcântara x Méier (Mauá)
 R$      11,50  R$     12,00 4,35% 196C – Guapimirim x Central (Reginas)

A lista completa com todas as tarifas das linhas, urbanas e rodoviárias, pode ser consultada aqui

Leia a íntegra da nova portaria:

SECRETARIA DE ESTADO DE TRANSPORTES
DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS
ATO DO PRESIDENTE EM EXERCÍCIO
PORTARIA DETRO/PRES. N.º 1373 DE 11 DE JANEIRO DE 2018
AUTORIZA NOVAS TARIFAS PARA O SISTEMA DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO INTERMUNICIPAL DE PASSAGEIROS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

O PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DO DEPARTAMENTO DE TRANSPORTES
RODOVIÁRIOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – DETRO/RJ, no uso de suas
atribuições legais e tendo em vista o que consta dos processos E-10/005/12379/2017 e E10/005/495/18,

CONSIDERANDO:
– que o último reajuste tarifário foi autorizado em 10/01/2017, entrando em vigor em
14/01/2017;
– que neste período ocorreram variações nos preços dos insumos que incidem sobre a
prestação dos serviços de transporte coletivo rodoviário intermunicipal por ônibus, bem
como no volume de passageiros transportados;
-as recomendações do Egrégio Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro,
– que a planilha tarifária modelo Geipot na qual se baseou o reajuste definido pela Portaria
DETRO/PRES. N° 1369/17 aplicou sobre o preço médio do óleo diesel uma redução de 8%
a título de ressarcimento de ICMS devido às permissionárias e concessionárias de
transporte coletivo rodoviário;
– que de acordo com esclarecimentos prestados pela Secretaria Estadual de Fazenda e
Planejamento tal ressarcimento não mais se aplica, em função de alteração das normas
legais;
– finalmente, a elevada participação do preço do combustível na composição do custo dos
serviços, impondo a necessidade de revisão do cálculo realizado,

RESOLVE:
Art. 1º – Ficam reajustados os coeficientes tarifários das linhas e seções do sistema de
transporte coletivo rodoviário intermunicipal de passageiros no Estado do Rio de Janeiro,
nos percentuais de 6,84% para os serviços metropolitanos (tarifas “SA”, “A” e “AC”), de
4,07% para os serviços urbanos não metropolitanos (tarifa “SA”) e de -5,23% para os
serviços rodoviários não metropolitanos (tarifas “A” e “AC”).
Art. 2º – Passam a vigorar os seguintes coeficientes tarifários:
I – Nas ligações de tarifa diferenciada “SA”, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro:
Coeficientes: 16,9227 e 0,1456
II – Nas ligações de tarifa diferenciada “SA”, fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro:
Coeficiente: 264,1815
III – nas ligações de tarifa quilométrica do tipo “SA”, na Região Metropolitana do Rio de
Janeiro:
Coeficiente (piso I): 0,2634
Coeficiente (piso II): 0,2941
IV – Nas ligações de tarifa quilométrica do tipo “SA”, fora da Região Metropolitana do Rio de
Janeiro:
Coeficiente (piso I): 0,2894
Coeficiente (piso II): 0,3337
V – Nas ligações de tarifa quilométrica do tipo “A”, na Região Metropolitana do Rio de
Janeiro:
Coeficiente (piso I): 0,3531
Coeficiente (piso II): 0,4586
VI – Nas ligações de tarifa quilométrica do tipo “A”, fora da Região Metropolitana do Rio de
Janeiro:
Coeficiente (piso I): 0,2948
Coeficiente (piso II): 0,3351
Art. 3º – Os valores das tarifas passam a ser os constantes do Anexo desta Portaria,
arredondados entre 0 (zero) e 5 (cinco) centavos de real de acordo com os seguintes
intervalos:
De 0,00000 até 0,02549 para 0,00
De 0,02550 até 0,07549 para 0,05
De 0,07550 até 0,09999 para 0,10
Art. 4° – As empresas que praticarem tarifas promocionais autorizadas pelo DETRO/RJ
poderão aplicar o mesmo percentual sobre os valores promocionais, observando a mesma
vigência deste reajuste.
Parágrafo Único – as empresas que majorarem os valores promocionais na forma do caput
deste artigo deverão informar ao DETRO/RJ, no prazo de 10 dias após a publicação desta
Portaria, quais as linhas que sofreram alteração.
Art. 5º – As permissionárias e concessionárias deverão afixar imediatamente no interior dos
veículos, junto ao posto do cobrador, nos guichês de venda de passagens, e se for o caso,
nos meios eletrônicos próprios de comunicação, aviso informando aos usuários sobre a
vigência dos novos valores.
Parágrafo Único – O não cumprimento do disposto no caput deste artigo sujeitará as
empresas às sanções previstas nas Normas Disciplinares que acompanham o Decreto
45.859/16.
Art. 6º – Os valores tarifários indicados no Anexo vigorarão a partir de zero hora do dia 14 de janeiro de 2018.
Art. 7° – Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário, especialmente a Portaria DETRO/PRES. N° 1369/17.

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Entrevista: A visão transparente da nova gestão da Rio Ônibus

Novo presidente da Rio Ônibus, Cláudio Callak comenta sobre temas que mexem com o dia a dia de 3,8 milhões de passageiros.

Três milhões e oitocentos mil passageiros utilizam os ônibus da cidade do Rio de Janeiro. E se acontecesse o colapso no sistema? Essa é uma conta que o novo presidente da Rio Ônibus, Claudio Callak, não queria que a população pagasse no final. O presidente recebeu o Portal Flumibuss e outros blogueiros e influenciadores digitais do tema mobilidade urbana na sede do sindicato, na Barra da Tijuca, para um encontro e comentar, com transparência, sobre temas e os problemas que o sistema de transporte público por ônibus está enfrentando.

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Reunião com influenciadores digitais e blogueiros com o presidente Claudio Callak, na sede do sindicato. Foto: Thiago Teixeira.

Os efeitos da crise:

  • Atualmente são 32.546 empregos diretos.
  • 7 empresas fecharam as portas desde 2015 (Algarve, Andorinha, Bangu, Rio Rotas, Santa Maria, Translitorânea e Via Rio)
    • 3 mil rodoviários demitidos em consequência destas falências
  • 11 empresas estão em risco grave de encerrar suas atividades
    • 7 mil rodoviários trabalham nestas empresas.
  • 3,28 anos era a idade média da frota em 2011
  • 4,85 anos é a idade média da frota em 2017
  • R$ 3,40 é a menor tarifa entre capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre

Callak conta que a Rio Ônibus recebeu a notícia da segunda redução da passagem com pânico e que não foi contatada pelos canais tradicionais, e sim pela grande mídia.

– A gente recebeu primeiro com surpresa, porque veio através da mídia, não veio através dos canais competentes. Não veio suportada por um estudo técnico e dentro de uma absoluta inviabilidade econômica financeira. (Claudio Callak)

Sobre a climatização da frota, Callak explica que o cronograma compatível ideal para a climatização de toda frota levaria 3 anos, se não houvesse redução das passagens. Com a retirada de 20 centavos, o cronograma aumentou em 1 ano. O Rio de Janeiro possui o maior percentual de ônibus com ar-condicionado do país, com 4.641 ônibus (57% do total). O custo médio para um ônibus com ar condicionado gira entre R$ 400 e R$ 450 mil.

Questionado também sobre o Bilhete Único, a gerente de gestão de mobilidade urbana Paula Leopoldina explica que a retomada das obras do BRT TransBrasil, com a retirada de uma faixa seletiva, para priorizar o transporte individual, está prejudicando a utilização em sua plenitude.

[…] Agora com o retorno das obras da Brasil, com apenas uma faixa, o tempo de viagem está demorando demais. Mas isso é uma questão que eles poderiam dar essa prioridade para o transporte coletivo e não para o carro. (Paula Leopoldina)

Sobre o iminente fechamento de 11 empresas, Callak explica que já há um plano para evitar o colapso total do sistema. Mas que o sindicato já está chegando ao ponto de não suportar mais nenhuma eventual quebra de empresa.

A gente está absorvendo todas as empresas que fecharam até agora, até onde a gente suportou. Mas quando você tem que prover receita para pagar os teus custos, e ainda prover receita para indenizar funcionário de empresas que quebraram, é natural que chega um momento que está todo mundo doente.

Na cidade, 79% das viagens são pagas com cartões eletrônicos. A cidade só não chega aos 100% pois, segundo Callak, a Secretaria Municipal de Transportes não permite a venda de Rio Card em pontos estratégicos por motivações políticas. O Sindicato estava com pretensões de colocar a venda de Rio Card em pontos locais, mas que a SMTR vetou. Além disso, a SMTR não permite qualquer tipo de sonorização dentro dos ônibus. Acessórios como o “Anunciador de Próxima Parada”, que poderia auxiliar os passageiros foram vetados.

Outro ponto abordado foi a racionalização feita na Zona Sul. Callak divulgou que as linhas da Zona Sul perderam 22% da demanda entre 6 e 8 meses após a racionalização. E Paula Leopoldina explicou que a SMTR da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes fez a racionalização apenas no visual, sem aprofundar num estudo para identificar pontos chave.

O que a secretaria fez foi cortar algumas linhas. ‘Ah, essa linha a demanda indo até o final da linha é muito pequeno, não tem sentido, não precisa ir até o final de Copacabana, até o final de Copacabana tá levando 2 passageiros”. Então eu corto ali. (Paula Leopoldina)

Em discussões recentes, o consórcio BRT afirmou que o fechamento de 22 estações de todo o eixo da Avenida Cesário de Melo (que liga Campo Grande a Santa Cruz) é uma questão de tempo. Perguntado se já foi apresentado um plano para combater os calotes, Callak acusou o Governo do Estado de apropriar do dinheiro que seria pago aos policiais, por meio do Programa Estadual de Integração de Segurança (PROEIS) e que não compete à Rio Ônibus brigar com a milícia

A gente já contratou até oficialmente, o programa da polícia militar (PROEIS) para tomar conta das estações. Só que, infelizmente, o governo do estado se apropriou do dinheiro e não repassou para os policiais militares. Então, isso vai além da política de transporte público. Comprar o ônibus, comprei. O bilheteiro está lá, os bilhetes existem. O mínimo de manutenção, onde é possível, a gente faz. Agora eu não consigo dar segurança pública. Não posso botar o funcionário. Eu não posso agredir um passageiro.  Eu não posso evitar que um vândalo entre lá e bote fogo numa estação. Eu não tenho capacidade de brigar com a milícia. Isso tudo são coisas que não competem à Rio Ônibus.

Sobre a falta de divulgação dos horários dos ônibus, Callak explica que os horários não são confiáveis. Criticou também a falta de mais corredores BRS, para que você pudesse precisar ao passageiro, quanto tempo falta para o ônibus chegar no ponto X.

Se tivesse BRS na cidade toda estaria ok. Pelo menos ele corresse. Saiu, por exemplo, lá do Leblon, ele vem de BRS, chega em Botafogo BRS, Aterro do Flamengo BRS, Centro da Cidade e Presidente Vargas BRS, aí eu conseguia prever o tempo, mas como não é assim, eu não consigo.

Sobre a falta de ônibus na madrugada, Callak pontua que a cidade vive sob efeitos de um poder paralelo, o que não dá garantia mínima de segurança para que o transporte rode 24 horas, pois em muitas áreas longe da área central, os ônibus param de circular muito cedo.

Por fim, sobre a negociação com o sindicato dos Rodoviários sobre o reajuste salarial, o gerente jurídico Bernard Fonseca explica com a redução das passagens em 40 centavos no total, não há qualquer condição de dar reequilíbrio salarial, mesmo a Rio Ônibus entendendo que eles merecem um reajuste.

A gente entende que eles merecem um reajuste, mas do quadro econômico que as empresas se encontram hoje, com essa redução de 40 centavos, não tem a menor condição da gente dar qualquer reequilíbrio (Bernard Fonseca)

O Portal Flumibuss agradece pelo convite feito pela Rio Ônibus, em especial à Thiago Teixeira, para participar deste encontro e pondera que é sempre bom poder ouvir, de maneira transparente e independente, os órgãos públicos, empresas de ônibus e todos que fazem movimentar a nossa cidade, a nossa região metropolitana, o nosso Estado. Estamos abertos à ouvir a Secretaria Municipal de Transportes e o seu secretário Fernando MacDowell para traçar o panorama, na visão da Prefeitura, dos transportes na cidade, ouvindo os dois lados para podermos traçar o futuro que os transportes do RJ merecem ter.

O Portal Flumibuss parabeniza também pela presença dos outros sites/páginas de Facebook:

  • Adamo Bazani, do Diário do Transporte (SP);
  • Carolina Guimarães, da página Linha 580 te leva às alturas (RJ);
  • Diego de Souza, da página Rio Ônibus da Depressão (RJ) e;
  • Vitor Mihessen, da página Casa Fluminense (RJ)

Abaixo, leia a entrevista completa com o presidente Claudio Callak.


Entrevista – Claudio Callak, presidente da Rio Ônibus. Com participação de Paula Leopoldina, gerente de gestão de mobilidade urbana e Bernard Fonseca, gerente jurídico.
Nota: Entrevista disponível em texto e áudio. O texto é transcrição do áudio, pode haver divergências entre o texto e áudio, mas estão dentro do mesmo contexto.

Tema: Política tarifária

Portal Flumibuss RJ: A população hoje não está satisfeita com o serviço prestado, e isso já vem desde quando a tarifa era de R$ 3,80 (Janeiro-2016 a setembro-2017), alegando que para o serviço prestado, principalmente na Zona Norte e regiões de Bangu à Santa Cruz, a passagem deveria ser menor. Porque mesmo com a tarifa alta, o serviço estava precário?

Claudio Callak: Primeiro não concordo com a tarifa esteja alta, respeitando a opinião de muitos que fazem esta pergunta, eu acho que qualquer resposta honesta a isso tem que ser embasada com um estudo técnico para que seja equilibrado, e de um terceiro, sempre. Nenhum número, valor, ou métrica de qualificação que eu possa te dar é justa, vindo de mim.


Flumibuss: Com a recente decisão da Justiça de baixar para R$ 3,40 (valor antes de 2016), e mesmo a Rio Ônibus tendo anunciado que irá acatar, como vocês receberam esta notícia? Como foi a reação?

Callak: Através do jornal, através da mídia. E com pavor, pânico. Porque a conta já não fechava. A gente recebeu primeiro com surpresa, porque veio através da mídia, não veio através dos canais competentes. Não veio suportada por um estudo técnico e dentro de uma absoluta inviabilidade econômica financeira. 


Flumibuss: Onze empresas do RJ correm o risco de encerrar as atividades, principalmente em decorrência da falta de pagamento aos seus funcionários. O que a Rio Ônibus tem a dizer sobre o assunto e se há algum plano já sendo elaborado em um eventual “colapso total” (como o próprio sindicato diz), ou seja, as 11 empresas encerrando as atividades.

Callak: Tem um plano, nosso plano é desde o início do ano a gente está comunicando a toda imprensa, à secretaria, ao poder público, a todo mundo que esse colapso é iminente. E isso é o limite do que a gente pode fazer. A gente está absorvendo todas as empresas que fecharam até agora, até onde a gente suportou. Mas quando você tem que prover receita para pagar os teus custos, e ainda prover receita para indenizar funcionário de empresas que quebraram, é natural que chega um momento que está todo mundo doente. E esse momento a gente vem dizendo desde o início do ano. É uma conta que eu não gostaria de pagar e nem gostaria que a população pagasse no final.


Flumibuss: E quanto aos serviços de “frescão”, mesmo eles estando de fora das decisões judiciais, muitas das linhas cobram caro pelo itinerário percorrido e, posto isto, circulam com poucos ou nenhum passageiro. O que a Rio Ônibus pode fazer para enquadrar na “política da tarifa justa”? Já que teoricamente um ônibus executivo poderia retirar entre 40 e 52 carros das ruas (dependendo da configuração pedida), se estando somente com o motorista.

Callak: O que a gente pode fazer é manter o sistema que é o que movimenta a cidade do Rio de Janeiro, 4 milhões de passageiros, o sistema de transporte por ônibus urbano. Esse a gente tem que manter vivo. Daí para cima, que são os frescões, é opcional. O que não pode ter (é o que acontece em alguns lugares) é que você só tem frescão. Mas isso é em consequência de todas as coisas que a gente conversou. Enquanto você mantiver um sistema sadio e à preço módico, o frescão passa a ser uma consequência. Aquele que o cara tem condição ou quer pagar mais, ok.


Tema: Ar-condicionado

Flumibuss: Vocês defendem a climatização total da frota, mas o cenário visto nas ruas é completamente diferente. Muitos passageiros reclamam quando a passagem baixou para R$ 3,60, muitos dos com ar simplesmente sumiram das ruas, e, indo além, há empresas que simplesmente desligam os aparelhos de ar-condicionado, por não funcionarem direito. Os casos mais emblemáticos são da Transurb, principalmente nas linhas Troncal 5 (Alto Gávea x Central) e 422 (Grajaú x Cosme Velho) e da Auto Viação Tijuca, na linha 603 (Usina x Saens Peña via São Miguel). O que a Rio Ônibus tem a dizer sobre?

Callak: Deveria direcionar essa pergunta ao secretário de transportes. “Qual é o transporte que ele quer ter na cidade do Rio de Janeiro? ”. Porque não tem almoço de graça. Eu não entro no mérito da empresa, se ela está com janela aberta ou não, porque eu respondo por uma entidade, e aí não vou pontuar essa linha ou aquela linha. Mas de uma maneira geral, isso é uma excelente pergunta a ser feita ao prefeito da cidade e ao secretário de transporte. “Qual é a qualidade do transporte público que ele deseja para a cidade? ”


Flumibuss: Em matéria recente, o Jornal Extra divulgou uma listagem da SMTR sobre a quantidade de ônibus com ar que, supostamente, teria em tal linha, sendo que esta listagem foi muito questionada por não retratar a realidade. Como exemplo, a linha 497 supostamente está com a frota 100% refrigerada, sendo que a realidade é que ela está com frota 100% sem refrigeração. O que a Rio Ônibus tem a dizer?

Callak: Que também é uma pergunta para ser direcionada para o secretário de transportes e ao prefeito da cidade. Está no relatório da Price (PriceWaterhouseCoopers, empresa de auditoria multinacional), um dos escopos do relatório da Price era requalificar a estrutura organizacional da Prefeitura. Eu posso te dar todos os dados daqui e você checar os dados daqui. Esses eu garanto a você que serão verdadeiros. Se a Prefeitura não tem controle sobre os dados que ela informa, eu não posso me responsabilizar.

Paula Leopoldina: A Prefeitura ela determinou, por causa da determinação dela de só ônibus com ar condicionado, que linhas novas que foram criadas na racionalização foram criadas com ar condicionado no cadastro deles, mas sem necessariamente estar alinhado com a operação na rua, entendeu? Agora linha nova ou linha que foi alterada, tem que ser com ar condicionado e pronto, acabou. Mas isso não necessariamente não condiz com a realidade. É uma questão de cadastro deles. Por isso que dá essas divergências de cadastro. 


Tema: qualidade do serviço

Flumibuss: É notório, nas ruas, a insatisfação dos passageiros com o sistema de transporte. E para piorar a situação, várias linhas que não foram modificadas pela gestão anterior, estão com serviços precários ou então despareceram. O Bilhete Único, com o tempo atual, não dá para ser utilizado na sua plenitude, pois dependendo do deslocamento – graças a supressão de itinerários – numa única linha pode chegar à 3 horas no horário de rush. O que a Rio Ônibus pode sugerir neste ponto?

Callak: Vamos lá, a tua pergunta foi bem longa. De um lado da cidade você tem um cara… por exemplo, você pode com 2 horas e meia pode sair de Copacabana, ir ao Centro da cidade e voltar. Isso não é regra do bilhete único. Por um outro lado, quem é que está pagando esse preço: o cara que precisa dele 2 horas e meia e não está conseguindo validar.

Paula: Acho que a gente pode… até… a Avenida Brasil quando ela abriu a Seletiva, tinham duas faixas seletivas para ônibus, para dar prioridade ao transporte público, para mudar essa velocidade para a contabilidade dos usuários, poderem fazer a integração. Isso agora com o retorno das obras da Brasil, com apenas uma faixa, o tempo de viagem está demorando demais. Mas isso é uma questão que eles poderiam dar essa prioridade para o transporte coletivo e não para o carro.

Callak: Porque a solução disso não é você encarecer a passagem, aumentando para 5 horas o Bilhete Único. Não adianta. Você abre isso pra. O importante é que você faça um deslocamento mais curto.


Flumibuss: O sistema BRT foi um dos grandes legados implantados pelo ex-prefeito Eduardo Paes, sendo que ele foi mal dimensionado e ainda há o problema dos calotes, principal e especialmente no eixo da Avenida Cesário de Melo. A Rio Ônibus já apresentou alguma pauta nesse sentido à SMTR (seja da gestão passada ou da atual)?

Callak: Já, vários. A gente já contratou até oficialmente, o programa da polícia militar (PROEIS) para tomar conta das estações. Só que, infelizmente, o governo do estado se apropriou do dinheiro e não repassou para os policiais militares. Então, isso vai além da política de transporte público. Comprar o ônibus, comprei. O bilheteiro está lá, os bilhetes existem. O mínimo de manutenção, onde é possível, a gente faz. Agora eu não consigo dar segurança pública. Não posso botar o funcionário. Eu não posso agredir um passageiro.  Eu não posso evitar que um vândalo entre lá e bote fogo numa estação. Eu não tenho capacidade de brigar com a milícia. Isso tudo são coisas que não competem à Rio Ônibus.


Flumibuss: Um outro ponto bastante polêmico entre os passageiros foi a racionalização feita na reta final da gestão Eduardo Paes nas linhas que circulam pela Zona Sul. Isso impactou muito o passageiro. A Rio Ônibus havia afirmado, em entrevista, que o sindicato há um próprio plano de racionalização que não afetaria muito as empresas e os passageiros. Pode comentar sobre?

Callak: Paula Leopoldina ao seu lado…

Paula: A gente tinha um plano, que não era só simplesmente seccionar linhas. Era poder fazer integração com essas linhas seccionadas… que fossem seccionadas. Com os seccionamentos que fossem necessários, que pudesse ter uma integração mais amigável. Então era um projeto um pouco mais completo do que a secretaria fez. O que a secretaria fez foi cortar algumas linhas. ‘Ah, essa linha a demanda indo até o final da linha é muito pequeno, não tem sentido, não precisa ir até o final de Copacabana, até o final de Copacabana tá levando 2 passageiros”. Então eu corto ali. Só que não teve essa integração ou uma… um pouco mais estruturante esse projeto. Em parte disso inclui o Claudio já até apresentou que foi o ônibus elétrico na Rio Branco, com estações, que pudessem melhorar essa integração. Que não fosse feito só o seccionamento, e cortar. Eu acho que é um pouco mais completo nesse sentido.


Flumibuss: Em outras capitais, como São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e muitas cidades interioranas (como Petrópolis), o horário de funcionamento das linhas fica acessível à população através da internet ou nos pontos finais das linhas, somente o Rio de Janeiro não divulga. Porque não é divulgado? Pois muitos passageiros poderiam se programar e evitaria fazer questionamentos aos rodoviários.

Callak: Não é divulgado porque ele não é confiável. Não adianta te divulgar uma informação que não é verdadeira. Alguém aqui falou do Uber. Você pode pegar o próprio Uber, que ele vai te dizer: Chego em 2 minutos. Daqui a pouco ele muda pra 3. Isso não é uma coisa que dependa de eu te dizer. O sistema se você projetar no Vá de Ônibus ou não, ele vai te dizer. O ônibus tá chegando em 2 minutos, só que daqui a pouco ele volta. [..]. Eu dependo disso, da tecnologia do satélite, do engarrafamento, aí eu vou te dizer no ponto. Você imagina, vou pendurar uma placa no ponto. Em Copacabana não tem um ponto de ônibus que esteja com os vidros no lugar. Todos eles estão quebrados. Aí eu vou botar um painel eletrônico, que é mais um custo, com o horário de chegada do ônibus. Aí ele vai pegar um engarrafamento, quando dizia 2 minutos ali, vai mudar pra 4. Então hoje a gente não tem tecnologia confiável porque os corredores não são distantes todos eles. Se tivesse BRS na cidade toda estaria ok. Pelo menos ele corresse. Saiu, por exemplo, lá do Leblon, ele vem de BRS, chega em Botafogo BRS, Aterro do Flamengo BRS, Centro da Cidade e Presidente Vargas BRS, aí eu conseguia prever o tempo, mas como não é assim, eu não consigo


Flumibuss: Ainda nessa questão sobre horário de funcionamento, porque parte das linhas que possuem registro para circular 24 horas (SN) não circulam? Há algum plano para que todas as linhas urbanas circulem 24 horas – mesmo sendo com 1 ônibus? Pois em muitas regiões da cidade, os ônibus encerram as atividades antes mesmo da 23h, principal e especialmente na Zona Oeste “pobre” (Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Pedra de Guaratiba, etc). Tem a questão da segurança, essas coisas assim.

Callak: Você já perguntou, já respondeu. A gente não pode esquecer que a cidade vive sob efeito de um poder paralelo contra o qual eu não tenho autonomia. Aonde infelizmente o poder paralelo, a mílicia, disser pra mim que eu não vou rodar, eu não vou arriscar.


Flumibuss: A quantas andam a negociação para o reajuste salarial dos rodoviários? Pois muito se fala em congelamento.

Bernard Fonseca: Na verdade, assim, o cenário se modificou muito de um mês pra cá. Duas reduções significativas na tarifa, a gente já tava com um desequilíbrio econômico-financeiro muito grande na concessão. O que se vem negociado é que a partir do momento que a gente tem algum tipo de alteração na tarifa no sentido de aumentar, que a gente sentaria de novo e discutiria, a não ser que a gente tivesse algum momento, algum reajuste. Aí tão logo a gente tem, a gente sentaria com o sindicato pra tentar negociar. A gente entende que eles merecem um reajuste, mas do quadro econômico que as empresas se encontram hoje, com essa redução de 40 centavos, não tem a menor condição da gente dar qualquer reequilíbrio


Trólebus: Uma tecnologia em extinção

Olá amigos, de volta após uma pausa no final de semana anterior e muita ralação durante a semana, este final de semana, iremos pôr tudo nos trilhos… Enfim, hoje para marcar o retorno, vamos comentar sobre o trólebus. Extinto no Rio por volta dos anos 60, o ônibus trólebus ainda existe em algumas cidades brasileiras, e o exemplo mais recorrente é em São Paulo, onde há duas empresas que operam o serviço de trólebus. A Ambiental Transportes, integrante do consórcio 4Leste, e a Metra, que opera no EMTU. O  debate: Qual a desvantagem e vantagem de se manter um sistema deste? Vale lembrar que o trólebus em Sampa já tem mais de SESSENTA ANOS (se não, mais!). Aqui embaixo, vai uma galeria de fotos registradas por lá. Nas próximas publicações, vocês conhecerão um pouco de Sampa!

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano
Sede: São Bernardo do Campo/SP

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano – 7208 / Busscar Urbanuss Pluss LF HVR Trólebus
Linha: 289 – Terminal Piraporinha x Terminal Jabaquara (via Terminal Diadema)

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano – 7215 / Busscar Urbanuss Pluss LF HVR Trólebus
Linha: 290 – Terminal Diadema x Terminal Jabaquara

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano – 7218 / Busscar Urbanuss Pluss LF HVR Trólebus
Linha: 289 – Terminal Piraporinha x Terminal Jabaquara (via Terminal Diadema)

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano – 7400 / CAIO Millenium II MB O-500U Trólebus
Linha: 289 – Terminal Piraporinha x Terminal Jabaquara (via Terminal Diadema)

Metra – Sistema de Transporte Metropolitano – 7401 / CAIO Millenium II MB O-500U Trólebus
Linha: 289 – Terminal Piraporinha x Terminal Jabaquara (via Terminal Diadema)

Ambiental Transportes Urbanos – Consórcio 4 Leste
Sede: Tatuapé, São Paulo/SP

Ambiental Transportes Urbanos 4 1819 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1824 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1827 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1828 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1829 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1830 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1836 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 4113/10 – Gentil de Moura x Praça da República

Ambiental Transportes Urbanos 4 1905 / CAIO Millenium III MB O-500U Trólebus
Linha: 2100/10 – Terminal Vila Carrão x Praça da Sé